
Foto: MorgueFile - duane_j
Eu já falei, em alguns textos, sobre a importância da concentração quando se está estudando para concursos. Somente quando se consegue aquele grau mais elevado de imersão é que o estudo realmente se torna produtivo e você consegue evoluir de forma significativa em sua preparação.
Porém, isso não significa que, após conseguir se concentrar, você vai estudar sem parar enquanto conseguir se manter concentrado. Não é assim que funciona. Se você buscar mais informações sobre o assunto, verá que a maioria dos especialistas recomenda que você estude por um período de 40 a 60 minutos e, depois, faça uma pequena pausa, antes de retomar suas atividades.
Sobre o assunto, li uma matéria interessante na revista "The Atlantic" (clique aqui para acessar). Ela falava sobre pausas no trabalho, mas creio que se aplique também ao nosso caso. Depois de enumerar algumas formas de descanso, como passear um pouco por fotos de animais, o texto dizia (tradução livre):
A observação científica subjacente a essas descobertas "quase-tão-boas-para-serem-verdadeiras" é que o cérebro é um músculo que, como todo músculo, se cansa do estresse repetido. Muitos de nós têm uma imagem cultural que inclui jornadas longas e maratonas de trabalho. Na verdade, existem muitas pessoas, perfeitamente produtivas, que chegam ao escritório cedo, trabalham até tarde e parecem nunca deixar de trabalhar. Mas a verdade sobre a produtividade para o resto de nós é que mais horas não significa trabalho melhor. Em vez disso, como um corredor que começa a ficar fraco depois de algumas milhas, nossa capacidade de executar tarefas tem retornos decrescentes ao longo do tempo. Precisamos de pausas estratégicas entre nossas sessões de trabalho.
Na verdade, o cérebro não é um músculo, mas a analogia cabe perfeitamente. Precisamos dar uma pequena pausa a ele para que seu potencial se revele ao máximo. Essa ideia da pausa benéfica foi comprovada em estudos, conforme continua a matéria:
DeskTime, um aplicativo de produtividade que rastreia o uso do computador dos funcionários, examinou seus dados para estudar o comportamento de seus trabalhadores mais produtivos. Os 10% com maior desempenho costumavam trabalhar por 52 minutos consecutivos, seguido de uma pausa de 17 minutos. Aqueles 17 minutos foram passados, frequentemente, longe do computador, segundo Julia Gifford, no The Muse, fazendo uma caminhada, fazendo exercícios ou conversando com colegas de trabalho.
Sugerir às pessoas que se foquem por 52 minutos consecutivos e, em seguida, abandonem imediatamente suas mesas por exatamente 1.020 segundos pode parecer a você um conselho idiota. Mas, este não é o primeiro estudo observacional a mostrar que pausas curtas se correlacionam com maior produtividade. Em 1999, o Laboratório de Pesquisa de Ergonomia da Universidade de Cornell usou um programa de computador para lembrar os trabalhadores de fazer breves intervalos. O projeto concluiu que "os trabalhadores que receberam os alertas [lembrando-os de parar de trabalhar] eram 13 por cento mais precisos, em média, em seu trabalho, do que colegas de trabalho que não foram alertados sobre a pausa.
(...)
Na verdade, os funcionários mais produtivos não trabalham necessariamente por uma quantidade maior de horas. Em vez disso, eles adotam a abordagem mais inteligente para gerenciar sua energia, a fim de resolver tarefas de forma eficiente e criativa.
Segundo a matéria da "The Atlantic", isso vale também para descansos semanais. O texto recorda as palavras de um industrial americano que percebeu que reduzir a jornada de seus funcionários para oito horas diárias trazia mais prosperidade e que, reduzir a mesma jornada de seis para cinco dias, trazia ainda mais prosperidade. Quem era esse industrial? Nada menos que Henry Ford.
Enfim, embora a reportagem trate de trabalho, acredito que ela se enquadra perfeitamente nos estudos, como eu já mencionei antes. Até porque trabalhos intelectuais e estudo se assemelham bastante no que diz respeito às exigências do nosso corpo, especialmente do cérebro.
Particularmente, reforcei as minhas convicções no poder dessa pausa ao fazer uma pesquisa com centenas de juízes. Perguntei, inicialmente, como era a rotina de estudo deles durante a preparação para o concurso:
Note que 48% deixavam um ou dois dias para descanso, sendo que apenas 37,36% estudavam todos os dias da semana. Mas, não é só. Perguntei também:
Mais da metade dos aprovados estudava, no máximo, cinco horas por dia. Esses dois dados me reforçam a convicção de que o mais importante não é a quantidade de estudo, mas a qualidade. E, para manter uma qualidade elevada, é essencial fazer pausas rotineiras e também deixar ao menos um dia para a cabeça descansar.
Alexandre Henry
Professor e Juiz Federal
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